Escolha a sua praia e veja como ela estava na última coleta, o histórico dela e, principalmente, qual fator (chuva, vento, maré, estação) mais se associa à contaminação. A partir de 8.363 coletas oficiais do IMA (02/01/2024 – 25/08/2026). Para saber de hoje, o boletim do IMA é a fonte: a coleta é semanal e aqui aparece a mais recente já publicada.
Mostra, por praia, o histórico de reprovação, a estabilidade e qual fator (chuva, vento, maré, estação) mais se associa à piora da água.
Leitura da cidade
No conjunto de Floripa, maré é o fator que mais separa próprio de impróprio: 15 pontos entre o melhor e o pior cenário dele. Mas o que domina muda de praia pra praia, selecione a sua pra ver. Na coleta mais recente de cada praia, 19 das 41 estavam impróprias. A rodada mais recente do IMA no histórico é de 25/08/2026: a coleta é semanal e o boletim oficial pode já estar mais novo que isto.
% impróprio
29%
das coletas reprovaram (E. coli alto)
Mediana E. coli
109NMP
bactéria de esgoto; maior = pior
Coletas
8.363
tamanho do histórico
Na última coleta
19/41
praias impróprias na coleta mais recente de cada uma
Espalhamento · Chuva
+6pp
entre o melhor e o pior cenário deste fator
Monitoradas
41
balneários
Mapa, clique numa praia
Cor = % de coletas impróprias · tamanho do ponto = nº de coletas
Carregando mapa…
< 15%15–30%30–50%≥ 50%
Chuva × impropriedade, todas as praias
% de coletas impróprias em cada categoria de chuva; a haste é o intervalo de confiança de 95%. A categoria de chuva vem da observação do coletor do IMA na coleta, não da estação pluviométrica.
NMP = número de bactérias (E. coli) por 100 mL. Pela CONAMA 274, a água é própria até 800 NMP (categoria satisfatória) e imprópria quando uma coleta passa de 2.000; a classificação é a do boletim do IMA. pp = pontos percentuais, a diferença entre duas porcentagens.
Análise aprofundada
Duas perguntas que o boletim não responde
Indo além do “está própria hoje?”: a praia é estável ou imprevisível? e a chuva prevê a piora?, com tratamento estatístico (5 associações conclusivas) e cruzamento com a precipitação da EPAGRI/CIRAM e do CEMADEN.
1 · Estabilidade histórica
(quanto a praia dá impróprio) e (com que frequência ela vira de própria pra imprópria) são coisas diferentes. Uma praia cronicamente imprópria é estável-ruim; uma que pisca toda semana é imprevisível. Cada ponto é um balneário (41 no total).
Estável e limpaInstável (pisca muito)Cronicamente imprópriaCrítica e instávelTamanho do ponto = nº de coletas
Leitura dos dados
Das 41 praias com histórico longo, 10 reprovam na maioria das coletas (≥50% impróprio): essas são previsíveis, quase sempre ruins, dá pra simplesmente evitar. O risco silencioso está em outras 8, que passam na maioria das vezes, mas viram pra imprópria sem aviso. São as que as pessoas de fato frequentam, e onde a leitura de ontem não garante a água de hoje, é a imprevisibilidade que vira armadilha. A oscilação aqui é da classificação própria↔imprópria ao redor do limite legal.
As 8 praias-armadilha · geralmente próprias, mas oscilam (viragens, decrescente)
1Praia de Santo Antônio de Lisboa26%19% impróprio
2Praia da Tapera23%28% impróprio
3Praia de Sambaqui23%9% impróprio
4Praia do Cacupé21%33% impróprio
5Praia de Canasvieiras19%20% impróprio
6Praia de Jurerê17%13% impróprio
7Praia do Meio16%47% impróprio
8Lagoa da Conceição15%38% impróprio
Todas reprovam em menos de 50% das coletas (passam na maioria das vezes). O número em destaque é a % de viragens, coletas em que a classificação mudou em relação à anterior; quanto maior, mais imprevisível.
Metodologia
Eixo X = severidade (% de coletas impróprias); eixo Y = volatilidade (% de viragens própria↔imprópria). É instabilidade histórica da classificação, não medida direta de risco sanitário. Só balneários com ≥20 coletas entram no gráfico.
2 · Sensibilidade à chuva
Para cada coleta, somo a nas 48 h anteriores na estação confiável mais próxima e comparo a chance de dar impróprio em dias pós-chuva (≥10 mm) vs secos. Onde há estação local de qualidade, o efeito aparece confirmado em praias específicas. Já na média da cidade ele é fraco e some quando a chuva é medida localmente, sinal de que a chuva piora certos balneários, não a orla toda por igual.
Os pontos percentuais aqui não são os mesmos do painel lá em cima. Lá, o número é o espalhamento entre o melhor e o pior cenário do fator. Aqui, é a diferença entre dias secos e pós-chuva, com teste estatístico. São duas contas, e é normal darem valores diferentes.
Resultado · efeito confirmado por praia
Em 5 balneários a chuva eleva o risco de forma estatisticamente confirmada (, p<0,05), mesmo com a amostra menor de cada praia. Na Praia de Sambaqui, a chance de impróprio passa de 8% em dias secos (N=90) para 20% pós-chuva (N=40): +12 pontos ( 10–35%). São praias onde a chuva antecipa a piora da água.
Exemplo por praia · Lagoa da Conceição
Sobe de 30% de impróprio em dias secos (N=335) para 38% pós-chuva (N=172), +8 pontos, IC95% 31–45%. Faz sentido físico: corpo lagunar fechado, a chuva carreia carga pros pontos de coleta.
Resultado · na média da cidade
Juntando todas as praias num único cruzamento, o efeito é pequeno e não robusto: de 25% (seco) para 27% pós-chuva, só +2 pp (p = 0,113, não significativo). E ele encolhe quanto mais local e precisa fica a medição da chuva: ~+5 pontos com a rede esparsa de 4 estações, ~+2 ao acrescentar estações locais validadas. Não há, portanto, um efeito uniforme de cidade: a chuva pesa em praias específicas, e o tamanho aparente do efeito geral depende de onde a chuva é medida.
O volume, por outro lado, importa: restringindo o corte à chuva pesada (≥20 mm na mesma janela), o efeito sobe para +2,6 pp (p = 0,089) e, alargando a janela para 3 dias, chega a +3,7 pp (p = 0,004, significativo). O sinal médio é fraco no corte padrão, mas cresce de forma consistente com o volume de chuva.
As 5 praiasem que o efeito é conclusivo mesmo isoladamente (teste z, p<0,05): a % de impróprio em dias secos vs pós-chuva; a haste é o .
SecoPós-chuvaHaste = IC95%
Leitura dos dados
A chuva piora a balneabilidade em praias específicas, confirmado em 5 balneários, concentrados no norte da ilha, onde há estação local confiável. Já na média da cidade o efeito é fraco e não robusto, e diminui à medida que se mede a chuva mais perto da praia. Não é um efeito uniforme de orla, é localizado, e medir a chuva no lugar certo muda o que se enxerga.
Metodologia
O cruzamento usa a estação confiável mais próxima de cada praia. O gráfico mostra só as praias com associação conclusiva por um teste z de duas proporções (p<0,05), ranqueadas por tamanho de efeito (diferença em pontos percentuais), não por razão crua. As demais ficam de fora por amostra insuficiente ou efeito não significativo. O agregado da cidade (todas as coletas num único 2×2) dá um efeito pequeno e não significativo, que encolhe quanto mais local é a medição. Por isso o destaque é por praia, não a média. A chuva aqui é medida em mm pela EPAGRI/CIRAM e por estações CEMADEN validadas(as que concordam com a rede oficial em dia de chuva forte; ver “Cobertura da rede”) numa janela de 48 h, distinta do fator “Chuva” do painel acima (observação categórica do coletor do IMA; o histórico por praia usa 3 dias só para contexto visual).
Cobertura e qualidade da rede
O cruzamento usa 7 estações: as 4 da EPAGRI/CIRAM com registro longo, Cetre (centro), Santo Antônio de Lisboa e Carijós (norte) e Lagoa do Peri (sul), mais 3 estações automáticas do CEMADEN (Agronômica, Canasvieiras e Areias Campeche) que aproximam a medição do norte, centro-oeste e sul da ilha. Cada praia passa a usar a estação local mais próxima em vez de uma do outro lado da baía.
Por que só 3 das 6 do CEMADEN? Antes de usar, comparei cada estação automática com a estação oficial vizinha nos dias de chuva forte. Três passaram (leem ~80–90% do volume e concordam na maioria dos dias). Três ficaram de fora: Coqueiros e Rio Vermelholeem menos da metade da chuva e, quando a rede oficial marca chuva forte, elas registram ~2 mm (subleitura crônica); a SC-406 faz o oposto, super-estima (~1,7×). Incluí-las achatava o sinal artificialmente, não por a chuva importar menos, mas por o sensor estar errado.
O ponto técnico: densificar a rede só ajuda com dado validado. Foi medindo a chuva mais perto e melhor que o efeito aparente da cidade encolheu (de ~+5 para ~+2 pontos) e revelou que ele é localizado, não uniforme. Ainda há lacunas: Mole e Joaquina seguem sem estação local de registro longo (usam Cetre, do outro lado da ilha), e a estação AGROMET instalada no Morro da Lagoa em março de 2026 ainda não cobre a janela analisada. Investir em monitoramento, com cobertura e controle de qualidade, é o que transforma “achamos que piora com chuva” em evidência sólida o bastante para orientar fiscalização, alertas e obras.
Resumo técnico
Balneabilidade explicada como evidência
O objetivo é mostrar quais praias são estáveis, quais oscilam muito e onde a chuva ajuda a antecipar piora de qualidade da água.
Dados usados
8.363 coletas oficiais do IMA/SC, séries de chuva da EPAGRI/CIRAM e do CEMADEN (validadas) e coordenadas dos balneários.
Método
Separa severidade de volatilidade e cruza cada coleta com chuva acumulada nas 48 horas anteriores na estação confiável mais próxima.
Resultado
41 balneários comparáveis e 5 associações chuva-balneabilidade marcadas como conclusivas pelos critérios do painel.
Limite
A análise é descritiva e associativa. Não prova causa, não substitui boletim oficial e perde precisão onde a rede de chuva é distante.
Inventário de fontes
De onde vêm os dados
A análise é descritiva e associativa: cruza dado oficial de balneabilidade com precipitação medida. Não prova causa, não substitui o laudo nem o boletim oficial, e perde precisão onde a rede de chuva fica distante do balneário.
IMA/SC: balneabilidade
Oficial
Coletas oficiais de balneabilidade das praias, classificadas pelo critério de E. coli da Resolução CONAMA 274/2000: água própria até 800 NMP/100 mL (categoria satisfatória) e imprópria quando a última amostragem passa de 2.000.
Alimenta
A classificação própria × imprópria, a estabilidade histórica por praia e o cruzamento com chuva.
Estações automáticas do CEMADEN que aproximam a medição de chuva do norte, centro-oeste e sul da ilha. Só entram as 3 validadas contra a rede da EPAGRI em dias de chuva forte; 3 foram excluídas por subleitura (Coqueiros, Rio Vermelho) ou super-estimação (SC-406).
Alimenta
A chuva local de cada praia onde a estação automática validada fica mais perto que a oficial.
Resolução que define os critérios de balneabilidade das águas no Brasil: própria até 800 NMP/100 mL de E. coli (satisfatória) e imprópria acima de 2.000 na última amostragem.
Alimenta
O critério que separa coleta própria de imprópria: é a régua oficial usada na leitura.