Ferramenta

Praias Inteligentes

O boletim do IMA responde “hoje está própria?”. Aqui você escolhe a sua praia e vê o histórico dela, e, principalmente, qual fator (chuva, vento, maré, estação) mais se associa à contaminação. A partir de 8.076 coletas oficiais do IMA (02/01/202425/05/2026).

Resumo técnico

Balneabilidade explicada como evidência

O objetivo é mostrar quais praias são estáveis, quais oscilam muito e onde a chuva ajuda a antecipar piora de qualidade da água.

Dados usados

8.076 coletas oficiais do IMA/SC, séries de chuva da EPAGRI/CIRAM e coordenadas dos balneários.

Método

Separa severidade de volatilidade e cruza cada coleta com chuva acumulada nas 48 horas anteriores na estação mais próxima.

Resultado

40 balneários comparáveis e 4 associações chuva-balneabilidade marcadas como conclusivas pelos critérios do painel.

Limite

A análise é descritiva e associativa. Não prova causa, não substitui boletim oficial e perde precisão onde a rede de chuva é distante.

Mostra, por praia, o histórico de reprovação, a estabilidade e qual fator (chuva, vento, maré, estação) mais se associa à piora da água.

Leitura da cidade

No conjunto de Floripa, maré é o fator que mais separa próprio de impróprio (diferença de 16 pontos entre os cenários). Mas o que domina muda de praia pra praia, selecione a sua pra ver.

% impróprio

28%

das coletas reprovaram (E. coli alto)

Mediana E. coli

108NMP

bactéria de esgoto; maior = pior

Coletas

8.076

tamanho do histórico

Pior sequência

,

selecione uma praia

Associação · Chuva

+7pp

melhor vs. pior cenário do fator

Monitoradas

40

balneários

Mapa, clique numa praia

Cor = % de coletas impróprias · tamanho do ponto = nº de coletas

Carregando mapa…
< 15%15–30%30–50%≥ 50%

Chuva × impropriedade, todas as praias

% de coletas impróprias em cada categoria de chuva; a haste é o intervalo de confiança de 95%. A categoria de chuva vem da observação do coletor do IMA na coleta, não da estação pluviométrica.

NMP = número de bactérias (E. coli) por 100 mL, acima de 800 a praia é imprópria (CONAMA 274). pp = pontos percentuais, a diferença entre duas porcentagens.

Análise aprofundada

Duas perguntas que o boletim não responde

Indo além do “está própria hoje?”: a praia é estável ou imprevisível? e a chuva prevê a piora?, com tratamento estatístico (4 associações conclusivas) e cruzamento com a precipitação da EPAGRI/CIRAM.

1 · Estabilidade histórica

Severidade (quanto a praia dá impróprio) e volatilidade (com que frequência ela vira de própria pra imprópria) são coisas diferentes. Uma praia cronicamente imprópria é estável-ruim; uma que pisca toda semana é imprevisível. Cada ponto é um balneário (40 no total).

Estável e limpaInstável (pisca muito)Cronicamente imprópriaCrítica e instávelTamanho do ponto = nº de coletas

Leitura dos dados

Das 40 praias com histórico longo, 17 reprovam na maioria das coletas (≥50% impróprio): essas são previsíveis, quase sempre ruins, dá pra simplesmente evitar. O risco silencioso está em outras 5, que passam na maioria das vezes, mas viram pra imprópria sem aviso. São as que as pessoas de fato frequentam, e onde a leitura de ontem não garante a água de hoje, é a imprevisibilidade que vira armadilha. A oscilação aqui é da classificação própria↔imprópria ao redor do limite legal.

As 5 praias-armadilha · geralmente próprias, mas oscilam (viragens, decrescente)

  1. 1Praia de Santo Antônio de Lisboa25%36% impróprio
  2. 2Praia de Sambaqui21%17% impróprio
  3. 3Praia da Tapera20%27% impróprio
  4. 4Praia de Jurere17%38% impróprio
  5. 5Praia do Meio17%45% impróprio

Todas reprovam em menos de 50% das coletas (passam na maioria das vezes). O número em destaque é a % de viragens, coletas em que a classificação mudou em relação à anterior; quanto maior, mais imprevisível.

Metodologia

Eixo X = severidade (% de coletas impróprias); eixo Y = volatilidade (% de viragens própria↔imprópria). É instabilidade histórica da classificação, não medida direta de risco sanitário. Só balneários com ≥20 coletas entram no gráfico.

2 · Sensibilidade à chuva

Para cada coleta, somo a chuva acumulada nas 48 h anteriores na estação mais próxima e comparo a chance de dar impróprio em dias pós-chuva (≥10 mm) vs secos. Cada praia isolada tem amostra pequena, então a pergunta certa não é “quantas praias são significativas sozinhas?”, e sim o efeito existe no conjunto da cidade?

Resultado principal · efeito agregado

Juntando as 40 praias com boa cobertura pluviométrica (estação a ≤12 km) num único cruzamento, a chance de dar impróprio passa de 27% em dias secos (N=4.373) para 32% pós-chuva (N=1.859): +5 pontos (IC95% 27 pp, risco 1.17×), teste z de duas proporções < 0,001. O efeito da chuva sobre a balneabilidade é real e mensurável na escala da cidade.

Exemplo por praia · Lagoa da Conceição

Sobe de 27% de impróprio em dias secos (N=297) para 41% pós-chuva (N=184), +14 pontos, IC95% 3448%. Faz sentido físico: corpo lagunar fechado, a chuva carreia carga pros pontos de coleta.

As 4 praiasem que o efeito é conclusivo mesmo isoladamente (teste z, p<0,05): a % de impróprio em dias secos vs pós-chuva; a haste é o intervalo de confiança de 95%.

SecoPós-chuvaHaste = IC95%

Leitura dos dados

No agregado das praias bem cobertas, a chuva eleva de forma estatisticamente robusta o risco de impropriedade, um efeito real, ainda que modesto no tamanho (de 27% para 32%, p<0,001). Olhando praia por praia, em 4 delas o efeito é forte o bastante para ser conclusivo mesmo com a amostra individual menor, são onde a chuva mais antecipa a piora da água.

Metodologia

O agregado junta todas as coletas das praias com estação a ≤12 km num único 2×2, evitando o subdimensionamento de cada praia. O gráfico mostra só as praias com associação conclusiva por um teste z de duas proporções (p<0,05), ranqueadas por tamanho de efeito (diferença em pontos percentuais), não por razão crua. As demais ficam de fora por amostra insuficiente ou efeito não significativo. É associação, não causalidade: indica onde investigar, não prova de origem. A chuva aqui é medida em mm pela EPAGRI/CIRAM numa janela de 48 h (distinta do fator “Chuva” do painel acima, que é a observação categórica do coletor do IMA; o histórico por praia usa 3 dias só para dar contexto visual).

Cobertura da rede e o que isso revela

O cruzamento usa 4 estações pluviométricas da EPAGRI/CIRAM com 2 anos de registro, Cetre (centro), Santo Antônio de Lisboa e Carijós (norte) e Lagoa do Peri (sul). Todas ficam no lado da baía ou ao sul. A costa leste/oceânica, Joaquina, Mole, Moçambique, Campeche, não tem estação de registro longo: ali a associação com chuva usa a estação mais próxima, a vários km, e a leitura perde precisão.

A EPAGRI instalou em março de 2026 uma estação nova no Morro da Lagoa da Conceição (projeto AGROMET de baixo custo), exatamente nessa região carente. Mas, com poucos meses de dados, ela ainda não cobre a janela histórica analisada.

O ponto técnico:a qualidade de qualquer análise como esta é limitada pela densidade da rede de monitoramento. Mais estações pluviométricas na costa leste e coletas de balneabilidade mais frequentes em pontos críticos estreitariam os intervalos de confiança e permitiriam separar efeito de chuva de efeito de maré e vento. Investir em monitoramento não é custo acessório, é o que transforma “achamos que essa praia piora com chuva” em evidência sólida o suficiente para orientar fiscalização, alertas à população e obras de saneamento.

Inventário de fontes

De onde vêm os dados

A análise é descritiva e associativa: cruza dado oficial de balneabilidade com precipitação medida. Não prova causa, não substitui o laudo nem o boletim oficial, e perde precisão onde a rede de chuva fica distante do balneário.

IMA/SC — balneabilidade

Oficial

Coletas oficiais de balneabilidade das praias, pelo critério de E. coli da Resolução CONAMA 274/2000 (impróprio acima de 800 NMP/100 mL).

Alimenta

A classificação própria × imprópria, a estabilidade histórica por praia e o cruzamento com chuva.

IMA/SC — balneabilidade

EPAGRI/CIRAM — precipitação

Oficial

Séries de precipitação diária de estações pluviométricas da EPAGRI/CIRAM próximas aos balneários.

Alimenta

A chuva acumulada nas 48 h antes de cada coleta, base do cruzamento chuva × impropriedade. Usa a estação mais próxima de cada praia (≤ 12 km).

EPAGRI/CIRAM

CONAMA 274/2000

Legal

Resolução que define os critérios de balneabilidade das águas no Brasil, incluindo o limite de E. coli.

Alimenta

O critério que separa coleta própria de imprópria — é a régua oficial usada na leitura.

Base legal